Reale chegou a fugir do impeachment (por Magno Martins) – Heron Cid
Bastidores

Reale chegou a fugir do impeachment (por Magno Martins)

3 de agosto de 2020 às 11h49

(Recife-PE) Na live deste blog, sexta-feira passada, a deputada Janaína Paschoal (PSL), a mais votada na eleição passada para a Assembleia Legislativa de São Paulo, revelou bastidores inéditos do processo de impeachment da ex-presidente Dilma, em 2016, no qual teve importante contribuição como advogada de acusação ao lado de Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo. Abrindo o coração, disse que Reale Júnior, bem mais famoso do que ela, ainda bastante desconhecida no início, não aceitou de largada a tocar o processo junto com ela.

“Reale foi o primeiro a ser chamado, mas não aceitou participar. Ouvi muitos nãos de Reale até encontrar Hélio Bicudo. Com Bicudo houve uma identidade de pensamentos que considero encontro de almas”, afirmou. “As pessoas acham que pensei em algo que já estava delineado, mas eu é que pensei a ideia por mim”, afirmou. Conforme narrou, resolveu fazer o processo e depois que Reale não quis participar saiu em busca de vários juristas.

“Na época, como o doutor Miguel Reale tinha ligação com o PSDB, o partido condicionou o apoio ao processo à entrada do jurista. Foi então que ele aceitou”, revelou, adiantando ter dito para ele, na hora, que não precisava dessa imposição porque sempre foi bem-vindo ao processo e por isso mesmo foi lembrado no primeiro instante.  Janaína também revelou outro incômodo. O fato de, no começo, a imprensa se referir aos autores do pedido de impeachment citando Reale e Bicudo como “os juristas” e a ela, simplesmente como “a advogada Janaína”.

Hoje, por causa disso, afirmou que coloca nos comunicados que redige o nome de todos os que fazem parte de uma ação em qualquer referência. E não sabe se teria essa preocupação, se não tivesse passado por isso. A parlamentar relatou, também, que em vários momentos durante o impeachment sofreu humilhações públicas e que passou muitas noites sem dormir, ao longo da discussão do impeachment no Congresso, para ler e reler documentos.

Sobre os motivos que a levaram ao afastamento de Dilma, disse que a iniciativa começou a tomar corpo a partir da sua vida acadêmica. “Achava os petistas muito totalitários dentro da universidade. Sentia um ambiente de autoritarismo, perseguições e destruição constante. Isso me incomodava. Comecei a colecionar fatos, dados e fui juntando tudo. Era muito incômodo ver como eles defendiam o governo da Venezuela, por exemplo. Quando tive acesso ao procedimento conduzido pelo procurador de contas, Júlio Marcelo, – com o parecer citando manobras fiscais do governo definidas por ele como ‘pedaladas’ – fiquei convicta que tinha de haver o impeachment”, afirmou. (Colaborou Hylda Cavalcanti, de Brasília).

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