Bastidores

A transição do radicalismo para a governabilidade

3 de agosto de 2020 às 12h29
Aos poucos, Bolsonaro descola imagem de fanáticos radicais em apuros com a justiça; um movimento sutil que só não enxerga quem não quer ver

Blogueiros ligados ao bolsonarismo, quase todos anônimos até a chegada do capitão ao poder e alvos de investigações, passaram a última semana incorporando papéis de vítimas de uma suposta perseguição do Supremo Tribunal Federal.

Assim como Jean Willys no passado e Abraham Wintraub mais recentemente, teve até quem se apresentasse como autoexilado. Heroísmo bonitinho e valentia forçada entraram no script.

Nenhuma novidade até aí. Novidade mesmo só a postura do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Noutra dessas, Bolsonaro se solidarizava e postava a favor dos seus militantes digitais mais famosos. Estufaria o peito com um “acabou, porra” daqueles!

Ou um: “Ordens absurdas não se cumprem”.

Nada disso mais. O presidente em pessoa evita a associação. Deixa que outros do seu staff o façam. Bolsonaro encarnou o comedimento, quem diria.

E já teve provas de sobra que o radicalismo histérico e a militância infantil em nenhum grama contribuem com seu projeto de governar uma nação com suas históricas complexidades e diversidade.

A prisão de Queiroz e o jantar de solidariedade a Flávio Bolsonaro promovido pela cúpula do Congresso, a que o bolsonarismo cospe, reconectaram a família do presidente ao mundo real.

O novo presidente em gestação está mais preocupado com a tal governabilidade do que em prestar contas aos súditos fanáticos travestidos de jornalistas e influenciadores digitais.

Aquele radical saiu de cena. Entraram o juízo e o pé no chão. Milagres da quarentena.

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