Opinião

Ao optar por Edilma, Luciano tem duplo desafio

29 de julho de 2020 às 11h38 Por Heron Cid
Edilma, a escolhida: Luciano, o dono da escolha, terá que convencer para dentro e para fora que fez a melhor opção entre quatro alternativas

Quando – numa entrevista ao blog do antenado confrade Anderson Soares – o emblemático secretário Zennedy Bezerra resolveu explicitar preferência pela professora Edilma Freire, não por acaso um dia depois de uma contundente e convincente entrevista de Diego Tavares, as cartas já estavam na mesa.

Zennedy foi o mesmo quem começou a defender Lucélio Cartaxo quando Luciano desistiu de concorrer à eleição estadual passada. O resto da história todo mundo sabe.

O trunfo se confirma nesta quinta-feira, ocasião na qual Luciano Cartaxo, prefeito de João Pessoa, fará a unção oficial do PV sobre a fronte de Edilma.

A escolha é surpreendente e previsível a um só tempo.

Surpresa para quem não via, até pouco, no perfil discreto e comedido de Edilma, candidata a vereadora até abril, o suficiente para uma empreitada dessa magnitude.

Previsível porque em dois momentos a proximidade familiar e a relação intrínseca de confiança prevaleceram na hora de Luciano tomar decisões difíceis.

Foi assim em 2014 e 2018 quando viabilizou o irmão Lucélio nas disputas pelo Senado e Governo, respectivamente.

Luciano, portanto, consolida no presente caminhos e apostas que já vinha trilhando no passado. Nos dois casos, o resultado não foi satisfatório.

Algo deve indicar ao prefeito a possibilidade de um final diferente dessa vez, presume-se.

Mas há muito tempo adiante para dissecar e examinar os dados que levaram Cartaxo a tomar essa deliberação, influenciada, ao primeiro exame, pelo seu círculo mais íntimo.

Cabe aqui, antecipadamente, constatar que, ao escolher a cordata ex-secretária de Educação, Luciano tem o desafio de apresentar convincente justificação de que Edilma é a pessoa certa para a hora certa.

Um duplo desafio, aliás. Terá que convencer para dentro – a começar dos três preteridos – e para fora. Cumpre-se dizer; para quem chegou onde chegou, convém não subestimá-lo.