Bastidores

João jogando o jogo

27 de julho de 2020 às 07h30

Política, dizem, não é para amadores. Políticos, portanto, são aqueles que sabem mexer no tabuleiro e conformá-lo à sua estratégia.

Apresentado como técnico em 2018, o governador João Azevêdo vai se graduando no que adversários e aliados duvidavam: a política, propriamente dita.

O movimento do governador com o MDB cristaliza esse sinal.

De início, parece até simples e localizado em Guarabira, terra em que Azevêdo e a tradicional família Paulino celebraram aliança. Só parece.

O efeito de quebra alterou a composição da Assembleia. Numa só mexida de pedra, dois efeitos imediatos: um deputado (Raniery Paulino) a mais no plenário e um adversário a menos numa região relevante da geografia política estadual.

Frise-se ainda; a conversão não absorveu um deputado qualquer, um número. Foi um atuante e contundente parlamentar oposicionista. Uma incorporação de qualidade à bancada governista e uma baixa na bancada oposta.

A engenharia com o MDB tem prognósticos de alcance para além da “Rainha do Brejo” e o lance é ato contínuo de outras movimentações, como na direção do ex-prefeito Cícero Lucena, em João Pessoa, ou até mesmo na linha de diálogo aberta com Luciano Cartaxo.

Na suas últimas entrevistas, depois da fase crítica da pandemia, Azevêdo tem se imiscuído no debate político e emitido declarações mais políticas e ácidas, como quando disse que quem tem quatro candidatos não tem nenhum, uma nítida provocação ao cartaxismo.

Bem antes, a articulação governista já havia neutralizado bombas-relógio na Assembleia e desmobilizando motins, ao alterar a ocupação das cadeiras, atraindo adesões e engordando a bancada aliada.

Agora, Azevedo avança na política, entrando no debate e na estratégia eleitoral municipal. Ele sabe; não há 2022 sem 2020.

Definitivamente, João começou a jogar o jogo.