A quebradeira dos hotéis (por Magno Martins) – Heron Cid
Bastidores

A quebradeira dos hotéis (por Magno Martins)

15 de julho de 2020 às 11h15

(Recife-PE) A hotelaria brasileira foi levada para a UTI pela Covid-19, está sangrando, desempregando e fechando portas. É, sem dúvida, o setor da economia mais atingindo nos últimos 90 dias. Só em Pernambuco, já fecharam, definitivamente, três hotéis. No Paraná e no Rio Grande do Sul, esse número é bem maior, fenômeno que se repete nos grandes centros turísticos do Oiapoque ao Chuí. Hoje, com a live neste blog, às 19 horas, pelo Instagram, do presidente nacional da ABIH, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Manoel Linhares, será possível entender melhor a extensão do problema.

A situação levou as principais associações nacionais do setor de turismo a se unirem em torno de uma “carta aberta” ao Governo Federal. No documento, contabilizam R$ 14 bilhões de prejuízos no setor de turismo desde o início da crise, com 295 mil demissões, impactando sobre 571 atividades econômicas dependentes do segmento, que abriga cerca de 7 milhões de empregos, entre diretos e indiretos, representando 8,1% do PIB nacional. Sem meias palavras, as entidades que representam resorts, hotéis e parques pedem ao governo dinheiro para sobreviver.

“Os meios de hospedagem, desde pequenas pousadas aos grandes hotéis, não conseguem sobreviver sem hóspedes”, reforça um conhecido hoteleiro de Pernambuco, que está sofrendo horrores com a crise, já tendo demitido 70% dos seus quadros funcionais. De fato, a pandemia atingiu em cheio o setor, que, segundo a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), oferece mais de 1,3 milhões de empregos diretos e 675 mil indiretos, gerando cerca R$ 31,8 bilhões para economia nacional.

Afinal, a forma mais eficaz de se combater o coronavírus, segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), é o isolamento social, exatamente o oposto do que se encontra em hotéis, pousadas, resorts etc, onde a meta é confraternizar. Uma pesquisa da Cielo aponta uma queda de 92,7% no setor hoteleiro, no quesito ocupação de leitos, desde o mês de março até o momento. A reabertura está sendo feito de forma lenta e gradual, mas é possível que o setor demore muito a conseguir a façanha do ressurgimento das cinzas.

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