E se a eleição fosse para o Congresso? (por Magno Martins) – Heron Cid
Bastidores

E se a eleição fosse para o Congresso? (por Magno Martins)

10 de junho de 2020 às 16h04
Urna eletrônica (Nelson Junior/ASICS/TSE/Dedoc)

(Recife-PE) – Um novo capítulo sobre a discutível e esperada eleição municipal deste ano foi posto em discussão no Congresso por emissários do Tribunal Superior Eleitoral. O que se esperava – o adiamento da ida do eleitor às urnas de outubro para final de novembro, entrando para meados de dezembro, neste caso o segundo turno para capitais e colégios acima de 200 mil eleitores – parece que agora vai vingar.

No entanto, nem bem o assunto chegou à mesa dos presidentes Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, respectivamente do Senado e da Câmara dos Deputados, o Centrão botou o dedo na ferida. Praticamente todos os presidentes dos partidos do movimento conservador, que passou a dar sustentação à base do Governo Bolsonaro, decidiram se posicionar contra o adiamento do pleito.

Argumentam que não há comprovação de benefícios para a saúde das pessoas afetadas pela pandemia do coronavírus em mudar a data por apenas um mês, no caso de outubro para novembro. “Não dá para se basear em achismos. Teria que ter comprovação científica. Se tiver, vamos mudar, mas nada hoje diz que novembro vai estar diferente de outubro”, reclama o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), vice-presidente da Câmara dos Deputados, um dos principais líderes do Centrão.

De fato, ninguém sabe absolutamente nada. Só há, na verdade, uma certeza: a curva da pandemia continua crescente, com taxas diárias horripilantes de mortes. Segundo a última notícia de ontem, em número de óbitos por dia, o Brasil já superou os Estados Unidos e o Reino Unido, o que, convenhamos, é uma advertência aos que insistem em eleição sem um requisito básico: campanha eleitoral.

Como fazer uma eleição sem campanha? Como um candidato, seja a prefeito ou vereador, pode ir às ruas pregar suas ideias sem pegar nas mãos do eleitor, sem dar um abraço? Impossível. Prorrogar mandatos implica em mudança nas regras do jogo, um alvoroço institucional que ninguém quer nem deseja.

Mas fica uma perguntinha no ar: se as eleições em discussão e ameaçadas pela pandemia fossem de renovação do Congresso, dos ilustríssimos senadores e deputados, e não municipais, será que as excelências já não estariam, a esta altura, votando uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) transferindo para 2021 as eleições em debate? Ou até pregando coincidência de eleições em 2022?

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