O desafio do PT é sobreviver a Lula livre (por Ricardo Noblat) – Heron Cid
Bastidores

O desafio do PT é sobreviver a Lula livre (por Ricardo Noblat)

3 de junho de 2020 às 14h30
Lula (FOTO: Theo Marques/FramePhoto/.)

Foi moleza para o PT manter-se à tona com Lula preso em Curitiba. Bastava martirizá-lo como fez. E martelar na tecla de que um golpe depôs a presidente Dilma Rousseff.

O desafio que agora enfrenta é o de provar que será capaz de sobreviver com Lula solto e a tecla do golpe em desuso, por gasta. Foi bom para Lula sair da prisão. Para o PT, há controvérsias.

Lula não desencarnou da figura que foi – o primeiro operário a se eleger presidente, o líder do maior partido de esquerda do continente, apontado por Barack Obama como “o cara”.

Não é mais presidente, como Obama não é. Não é mais “o cara”. O PT perdeu a condição de maior partido de esquerda do continente. Mas Lula se recusa a deixar que o PT vá em frente sem ele.

Mesmo que não volte a ser preso, Lula não poderá mais ser candidato a nada porque a Lei da Ficha Limpa o impede. Virou um ficha suja. Quando puder, já terá mais de 80 anos de idade.

Se lhe falta disposição, como parece, para atuar com desenvoltura à frente do partido, poderia resignar-se com o título de presidente de honra da sigla e proceder como se fosse um sábio conselheiro.

Experiência não lhe falta. Nada que tenha acontecido na história política do país do início dos anos 80 para cá lhe é estranho. Foi cinco vezes candidato a presidente. Influiu em mais duas eleições.

Mas, não. Ele não admite que sua hora possa ter passado. Nunca deixou que à sua sombra despontassem nomes capazes de sucedê-lo. Continua se comportando da mesma forma.

Às vésperas do segundo turno da eleição de 2018, apelou aos brasileiros para que não votassem em Jair Bolsonaro. O fascismo, segundo ele, arrombaria as portas do país se Bolsonaro vencesse.

No momento em que boa parte dos brasileiros poderia lhe dar razão, Lula sabota o movimento que começou a ganhar força para dar um basta a um presidente que é uma ameaça à democracia.

E, pior: sabota movido pelos instintos primitivos de rancor, amargura, inveja e orgulho ferido. Acaba fazendo o jogo do adversário que tanto depende dele para se reeleger.

Lula perde relevância a cada dia que passa, e não se dá conta. Ou o PT entende isso de uma vez ou está condenado a perder relevância junto com seu criador.

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