Uma coisa é certa no meio de tantas incertezas. Somente mandatários e servidores públicos estão imunes, até aqui, aos nocivo efeitos econômicos da crise do coronavírus.
Esses aguentam a quarentena com a certeza de que o dinheiro baterá na conta no fim do mês. Pode durar uma década…
Já empresários e trabalhadores (formais e informais) dependem do que produzem. E é o que esse segmento produz que mantém o combustível da máquina pública.
A grande preocupação nacional, além de estabilizar o vírus, é como manter a economia de pé e a sobrevivência do comércio, dos serviços e de quem vive deles.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, está esquadrinhando a primeira proposta. Para ajudas e bolsas, estuda corte de 30% dos servidores públicos que ganha acima de R$ 10 mil.
Esse pedaço gera uma fatia de R$ 130 bilhões, que dá pra pagar bolsas entre R$ 300 e R$ 400 reais para um contingente de 55 milhões de desempregados ou em condições informais, todos em vulnerabilidade social.
Como o orçamento público não é um saco sem fundo, a medida tem lógica e caráter de justiça social. Os poucos que ganham muito ajudam a pagar a conta dos muitos que nada estão ganhando.
Mas nesse debate cabe mais: qual será a cota de sacrifício do bilionário sistema financeiro (bancos), que nunca perde nada em crise alguma. E dos donos das grandes fortunas?
Está na hora de inserir no pacote os integrantes do grupo de menor risco (sempre!). Do contrário, será seletivo demais.