A posse (imaginária) do senador Roosevelt – Heron Cid
Bastidores

A posse (imaginária) do senador Roosevelt

25 de julho de 2019 às 11h31
Vita, o Roosevelt paraibano

Desde a notícia da morte do advogado Roosevelt Vita, fiquei aqui, solitariamente, divagando como seria sua imaginária performance no Senado da República, do qual era suplente, eleito na chapa do titular José Maranhão, se tivesse tido a oportunidade de passar alguns dias e meses por lá.

A Casa certamente pararia para ouvir um pronunciamento do notório orador, sobretudo, numa quadra de tanta escassez de qualidades intelectuais.

Quais seriam os argumentos e questionamentos em sessões marcadas por polêmicas jurídicas, área em que era doutor em conhecimento acumulado?

Sessões, por exemplo, como a que sabatinou o ministro Sérgio Moro. Advogados e discípulos, imaginem o que sairia da boca dele.

O que diria Vita nos debates acalorados e, por vezes rasos e pueris, em Brasília, se tivesse um broche na lapela fosse e cercado por microfones de jornalistas.

Frasista dos bons, renderia muitas manchetes.

Rápido no raciocínio, emparedaria opositores.

Inclemente na ironia, calaria ignóbeis.

Métrico no humor, qualidade dos sábios, desconcertaria.

Roosevelt era uma enciclopédia ambulante. Dava fineza e erudição a tudo que era convocado a versar.

Tal qual o Roosevelt (Franklin Delano) americano, o nosso Roosevelt paraibano tinha pose e visão de estadista. Era de outra época, de outro mundo, mas pairava por essa contemporaneidade com desenvoltura e sempre lições a partilhar.

Se tivesse subido ao menos uma vez na tribuna do Senado, deixaria o seu recado e faria falta por lá. Como faz agora entre os que tiveram o privilégio de ouvi-lo. Para concordar ou para discordar.

Aos que conheceram sua inteligência e vivacidade, um alento. Na galeria dos grandes pensadores da Paraíba, ele tem um mandato. Permanente.

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