Opinião

G9, um grupo paragovernista

4 de abril de 2019 às 10h34 Por Heron Cid
João Bosco Carneiro Júnior, um porta voz informal do grupo que endurece pescoço

Comedido e sereno até dizer basta, o deputado João Bosco Carneiro Júnior fugiu um pouco do seu script habitual ontem em entrevista ao Arapuan Verdade (Rede Arapuan de Rádio).

O parlamentar de Alagoa Grande cobrou “diálogo” e interação do governo com a sua bancada em temas e propostas mais delicadas, como a MP da fusão de empresas (Emater, Emepa, Empasa), da qual já se posicionou como voto contrário.

“Diálogo é uma palavra tão bonita para muitos, mas muitas vezes na prática não existe”, sapecou.

E foi além: “A Paraíba e o Brasil têm uma mentalidade que deputado tem que ser governo ou oposição. Deputado tem que ser do povo e defender os interesses do povo”.

Segundo secretário da Mesa da Assembleia, Bosco Carneiro avisou, ao seu modo, que o governo não pode esperar de parte da bancada governista só “amém” e subserviência.

Pela forma e conteúdo, por mais propriedade que tenha, o deputado não parece falar por si só. Ele verbalizou mais ou menos que pensa o G9 (grupo dos 9), bloco criado na Assembleia e responsável, em grande medida, pela dupla eleição de Adriano Galdino, fora do planejado pela articulação governamental.

O poder de fogo desse grupo, detentor de quase a metade dos votos da bancada governista, não se limitou ao fatídico resultado da disputa da Mesa. Na prática, ele vai dando cartas no Poder Legislativo e assumindo uma certa posição de autonomia e até travando a votação de projetos de claro interesse do Executivo.

Uma espécie de bancada governista paralela, aliada, mas ‘autônoma’ e que decide em bloco, o que a torna monolítica.

É sobre ela que os olhos do Palácio precisam fitar. Se esse grupo passar dos 9 a corda pode esticar mais e a atuação dele começar a servir de inspiração e pedagogia em plenário.

O fato é que o G9 inaugurou uma nova espécie paraibana: um grupo paragovernista…

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