Ibope: neutra para Haddad; boa para Ciro; ruim para Marina e Alckmin e péssima para Bolsonaro. Por Reinaldo Azevedo – Heron Cid
Bastidores

Ibope: neutra para Haddad; boa para Ciro; ruim para Marina e Alckmin e péssima para Bolsonaro. Por Reinaldo Azevedo

6 de setembro de 2018 às 10h18

O Ibope acabou divulgando na noite deste quarta-feira, depois de uma trapalhada, a pesquisa eleitoral que fez para o Estadão e Globo. Para lembrar: o resultado deveria ter vindo a público nesta terça. Mas o instituto havia registrado um pedido que trazia, em um dos cenários, Lula como candidato. Dada a decisão do TSE, que considerou o petista inelegível, o instituto resolveu fazer a simulação ignorando o seu nome. Como estava em desacordo com o que havia sigo registrado, espero que o TSE autorizasse a divulgação dos números. O tribunal nem autorizou nem desautorizou. Disse que não lhe cabia cuidar da questão. E os números vieram a público, em levantamento realizado entre os dias 1 e 3. Síntese das sínteses? Ciro Gomes (PDT) pode comemorar os números; Jair Bolsonaro (PSL) tem mais a lamentar. O mesmo se diga do Geraldo Alckmin. Mas que se note: o levantamento não serve para medir o impacto do horário eleitora gratuito. Já digo por quê. Vamos lá.

Se a eleição fosse hoje, sem o nome de Lula — e não há simulação com o petista, reitere-se —, seria Jair Bolsonaro (PSL) a liderar a corrida, com 22% das intenções de voto — dois pontos a mais do que há duas semanas. Em segundo lugar, rigorosamente empatados, aparecem Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), com 12%. O pedetista oscilou três pontos para cima, e Marina manteve a mesma pontuação. Também o tucano Gerado Alckmin e o petista Fernando Haddad podem ter crescido, com variação de dois pontos para mais: Ackmin aparece com 9%, Haddad, com 6%.

Registre-se um dado importante a estar certo o Ibope: os dispostos a anular os votos caíram de 28% para 21%. Os indecisos variaram de 9% para 7%. Ainda assim, são 28% os que não escolheram ninguém. É um número considerável. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Cabe fazer aqui um registro importante: os questionários foram aplicados entre os dias 1º e 3 de setembro. O horário eleitoral começou no dia 31, mas o tempo reservado aos presidenciáveis estreou no dia 1º. Logo, os que responderam ao Ibope ficaram expostos a um único dia da propaganda. O efeito desta no resultado, pois, é muito pequeno. Se houve mudanças no quadro, ela se devem mesmo é às respectivas campanhas fora do rádio e da TV.

Nessa jornada ao menos, quem tem mais a comemorar é Ciro: aparece com um crescimento de três pontos: de 9% para 12%. Quando se consideram as respectivas margens de erro das duas pesquisas, ainda não se pode asseverar que houve crescimento. Tudo indica que sim. Há ainda um outro dado positivo para ele: sem Lula, as preferências por seu nome no Nordeste cresceram de 14% para 20%. Já a adesão a Marina caiu de 17% para 13%. Haddad melhorou um pouco: de 5% para 8%.

O ex-presidenter e os petistas podem estar brincando com fogo ao insistir numa candidatura que sabem inviável. O chefão petista tinha 60% das intenções de voto no Nordeste. Haddad está muito longe dessa marca.

Segundo turno
As simulações de segundo turno e a taxa de rejeição trazem más notícias para Bolsonaro. Ele lidera o ranking negativo: dizem que não votariam nele de jeito nenhum 44% dos entrevistados. Em duas semanas, houve um crescimento de 7 pontos percentuais. A de Marina também cresceu: de 23% para 26%. A de Ciro oscilou um ponto para baixo, ficando em 20%. Também Haddad viu crescer a recusa a seu nome: de 16% para 23%.

Num eventual segundo turno, Bolsonaro perderia para Ciro por 44% a 33%, para Marina, por 43% a 33% e para Alckmin, por 41% a 32%. Chegaria tecnicamente empatado com Haddad: 37% a 36%. Considere-se, no entanto, que o ex-prefeito de São Paulo ainda é desconhecido por parte considerável da população, especialmente no Nordeste, maior reduto lulista do país.

Bolsonaro obtém seus melhores resultados entre quem ganha mais de cinco salários mínimos (30%), evangélicos (29%), homens (28%), jovens de 16 a 24 anos (28%) e na faixa com curso superior (29%).

Datafolha
No dia 10, o Datafolha realiza uma nova pesquisa. O resultado será publicado no mesmo dia. Nesse caso, sim, já será possível medir o impacto do horário eleitoral, que estará no seu 11º dia — cinco deles voltados para os presidenciáveis. Alckmin ter se movido muito discretamente nos números de agora não deve deixar felizes os partidários de sua candidatura, mas ainda é cedo para apreensão. Se, no dia 10, ele ainda continuar patinando em um dígito, então é o caso de os tucanos começarem a se preocupar.

Para quem nem candidato ainda é, Haddad pode até se sentir confortável com seus 6% — tecnicamente empatado com Alckmin, que está na luta há bem mais tempo. No atual cenário, teria de ganhar mais seis pontos para empatar com Marina e Ciro. É coisa que o PT pode operar perfeitamente. Mas, por óbvio, os adversários também estão em movimento. A questão é saber se o PT vai mesmo comprar a sua candidatura e se Lula dirá sem ambiguidades que o candidato é o ex-prefeito.

Os partidários da candidatura de Bolsonaro devem, sim, se preocupar: o candidato está no patamar em que estava quando a pregação se resumia à Internet. Desde o início da campanha propriamente, sua exposição é bem maior: participou de debates, sabatinas e entrevistas. A adesão à sua candidatura continua no mesmo lugar, mas a rejeição cresceu bastante.

Os dados sugerem que seria preciso mudar um pouco o rumo da prosa. Mas parece que o candidato decidiu seguir fiel a seu estilo, que seus entusiastas consideram vencedor.

Essa pesquisa, reitere-se, não está sob o impacto do horário eleitoral, mas já reflete algumas escolhas feitas pelos candidatos.

RedeTV

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