PT terá que acabar o teatro. Por Bernardo Mello Franco – Heron Cid
Bastidores

PT terá que acabar o teatro. Por Bernardo Mello Franco

31 de agosto de 2018 às 11h11
Haddad e Lula | Luciano Claudino/Codigo19/Agência O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral nunca teve tanta pressa. A Corte marcou uma sessão extraordinária para a sexta-feira, dia que os ministros costumam dedicar ao ócio e à contemplação. Eles vão sacrificar o repouso em nome de uma causa: julgar o registro de Lula antes do início do horário eleitoral.

Seguido o script, o ex-presidente será oficialmente afastado da disputa. O PT terá que suspender o teatro e oficializar o que todos já sabem: Fernando Haddad é o verdadeiro candidato ao Planalto. Daqui até a eleição, sobram 37 dias corridos. Este será o prazo do partido para operar o milagre da transferência de votos.

Em 2010, Lula conseguiu eleger a desconhecida Dilma Rousseff. Estava solto, saboreava o auge da popularidade e podia correr o país em campanha. Oito anos depois, seu desafio é repetir a dose de dentro da cadeia. A depender dos juízes de Curitiba, sem direito a gravar para a propaganda de TV.

Haddad começou a campanha há duas semanas em estilo tímido, apresentando-se como o “vice do Lula”. Batido o martelo no TSE, poderá pedir votos como presidenciável. Será um alívio para quem manifestava, em conversas reservadas, o receio de que a encenação já estava indo longe demais.

Amanhã o candidato vai a Garanhuns e Caetés, terra de Lula. Em público, o ex-prefeito já começou a modular o discurso. Ontem ele disse, em Curitiba, que os brasileiros querem “a volta do modo petista de governar”. Sua fala foi abafada por sirenes da Polícia Federal.

O Globo

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