É curioso que sejam os mais instruídos e mais endinheirados a cair na conversa de Bolsonaro. Por Reinaldo Azevedo – Heron Cid
Bastidores

É curioso que sejam os mais instruídos e mais endinheirados a cair na conversa de Bolsonaro. Por Reinaldo Azevedo

25 de junho de 2018 às 08h53

Não é curioso que os mais sensíveis à pregação bolsonarista sejam os mais endinheirados e com curso universitário? São duas condições estruturais que, em tese ao menos, permitem ao vivente lidar com mais informações. E mais complexas também. Deixaram-se encantar pela resposta que Jair Bolsonaro (PSL) tem para o país? Mas qual? Armar a população? Distribuir fuzis no campo? Incentivar o que ele chama de combate ao politicamente correto, traduzido, no seu caso, pela apologia da ofensa, da incivilidade, da grosseria?

A democracia vê o bebê gerado pelo cruzamento de Sérgio Moro com Deltan Dallagnol

Que resposta objetiva deu o pré-candidato até agora para atrair parcela considerável dos eleitores mais informados? Nenhuma! Ele poderia, dado que terá tempo exíguo na propaganda de rádio e TV, usar os debates promovidos pelos meios de comunicação para apresentar a sua agenda e, assim, convencer as pessoas. Mas, ora vejam, ele tomou a decisão de não participar dos debates no primeiro turno. E de tal sorte estupefaciente que não sei se manterá. Essa escolha, no entanto, é um emblema desses dias: para que possam convencer, as ideias de Bolsonaro — ou o que quer que sejam as coisas que diz — não podem ser expostas ao contraditório.

Elas são o fruto mais vistoso da Lava Jato. Bolsonaro é o rebento que nasceu do cruzamento de Sérgio Moro com Deltan Dallagnol. É o casamento perfeito do ódio à democracia com o ódio ao Estado liberal, em que nenhum Poder é absoluto. E é claro que isso tem consequências.

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