A história do BRT de João Pessoa, cujo edital de licitação saiu, finalmente, ontem, no Diário Oficial, tem alguns lances de bastidores que ilustram bem o patamar de política na Paraíba.
Lançado em 2011, o Pacto da Mobilidade chegou a anunciar a liberação dos recursos para João Pessoa, num projeto até então conjunto entre Prefeitura e Estado.
Em 2012, com a ruptura entre o então prefeito Luciano Agra e o governador Ricardo Coutinho, a coisa começou a degringolar.
O Estado recuou de um terreno que havia cedido para construção do Terminal de Mangabeira.
O então ministro das Cidades, Mário Negromonte, chegou a convocar Agra e Ricardo para um consenso. Sem sucesso.
Em 2013, com a chegada na Prefeitura de Luciano Cartaxo, adversário do governador, a coisa continuou emperrada e o espaço para o Terminal virou alvo de contenda, sem autorização para construção.
Somente em 2014, quando os dois se entenderam numa inusitada aliança, o Estado liberou os terrenos, um ao lado do Caic, em Mangabeira, e outro ao lado da Rodoviária para o Terminal do Varadouro.
Em 2015, novos obstáculos após o rompimento entre Luciano e Ricardo e uma trava no espaço do Terminal do Varadouro.
Entre idas e vindas, o destravamento final só ocorreu em 2016 graças a tratativas dos técnicos de Prefeitura e Estado.
E o que tudo isso revela? Que a mistura que se faz entre aliança política e relação institucional é muito prejudicial ao cidadão.
Por aqui, sem uma a outra está condenada a não existir. E pensávamos que isso era coisa do passado.