Lucas, do discurso da posse à prática da semana de estreia – Heron Cid
Opinião

Lucas, do discurso da posse à prática da semana de estreia

7 de abril de 2026 às 13h31 Por Heron Cid

Quando assumir o Governo da Paraíba era só uma hipótese – condicionada à diversas variáveis e inúmeras ações contrárias (abertas e veladas), Lucas Ribeiro (PP) ouviu um poderoso conselho do pastor Hernandes Dias Lopes. Após uma das aberturas da Consciência Cristã, em Campina Grande, o respeitado preletor daquela noite aconselhou, em conversa particular, o jovem vice-governador: “Vença o inimigo a golpes de bondade”. Lucas guardou e – pacientemente – se valeu desse provérbio na caudalosa travessia dos últimos anos até esse 2 de abril, noite que, enfim, a possibilidade se empossou realidade.

Na solene posse, num pronunciamento de 1.572 palavras, o novo governador – cristão evangélico – invocou cinco vezes o nome de ‘Deus’. Número inferior somente à expressão ‘seguir’, utilizada oito vezes para reiterar o compromisso de ‘continuidade’ administrativa, promessa de ‘avanços’ (4 vezes), de andar para ‘frente’ (três vezes) e com ‘energia’ (duas vezes).

O ranking dos principais termos usados traduz a estratégica mensagem. Lucas chega reconhecendo as conquistas promovidas pelo antecessor, João Azevêdo (PSB), se apresentando como o “novo” condutor de uma nova fase de um “governo que seguirá jovem”, projetando “fazer ainda mais”, “dar o próximo passo” sob a “esperança de quem quer uma Paraíba ainda melhor”. E uma sentença intransferível: “Eu sou o novo governador da Paraíba”!

Mas, qualquer pronunciamento – por mais poético e arrebatador que seja – tem seus limites e corre o risco de morrer nas gavetas da história, se divorciado das ações. A palavras têm força. Já os exemplos têm poder e convencem. Na semana do expediente de estreia, Lucas Ribeiro está se esmerando para transpor à prática o assertivo discurso dirigido – solenemente – aos seus concidadãos.

No primeiro dia de batente, na icônica Campina Grande, Lucas prestigiou sua terra natal com a posse dos seus novos auxiliares e promoveu, em gestos, distensionamento administrativo; anunciou socorro financeiro ao Hospital da Clipsi e abriu diálogo com o prefeito e adversário Bruno Cunha Lima sobre superação de entraves, enfatizando ser esta postura esperada pela população da “nova geração” da política.

Um dia depois, hoje, pegou o telefone e tocou no número do novo prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), principal cabo eleitoral do seu principal adversário, Cícero Lucena (MDB). No telefonema, colocou o Estado à disposição da cidade no enfrentamento às sequelas das chuvas.

Nas duas maiores cidades, governadas por dois adversários, não combateu ou litigou com os seus opositores. Optou pelos “golpes de bondade”. Além de prosseguir o legado administrativo de João, está seguindo-praticando aquele conselho do sábio líder cristão, naquela reflexiva e solitária noite em Campina Grande. Quando ‘Lucas governar a Paraíba’ era ainda um versículo escarnecido e o capítulo ‘candidato competitivo’ era blasfêmia para muitos e profecia acreditada por poucos.

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