
Por mais que as pesquisas de avaliação apontem a alta aprovação e as de intenções de voto confirmem a liderança folgada na disputa ao Senado, o legado de João Azevêdo (PSB) vai além da transmissão de cargo, do fechamento de um ciclo de dois mandatos e do resultado da eleição vindoura.
Tenho a franca impressão de que a importância da marca administrativa do agora ex-governador só será plenamente assimilada após a natural transição do distanciamento histórico – das disputas emocionais do presente para a leitura racional do futuro. Lucidez que só o tempo consegue prover.
Cabeça de engenheiro, coração de professor e alma de cidadão. Essa tríade fez de João um governador profundamente dedicado ao trabalho num cargo que jamais planejou/almejou nem no melhor dos seus sonhos. Também, por isso, não se apegou a ele.
Nesses sete anos e três meses, o filho da Rua do Rio navegou mares bravios da pandemia – o maior desafio sanitário do século – fez a travessia das promessas do passado à Ponte do Futuro, tirou a Costa do Sol da maquete para irradiar um Polo no Cabo Branco.
Sob sua pilotagem, aeronaves decolaram para salvar anônimos, corações paraibanos voltaram a pulsar, pacientes saíram da fila da cirurgia e entraram na mesa do transplante e o tesouro estadual marchou o exército da Paraíba contra o câncer.
O governo de João teve – inegavelmente – um volume de ações sociais e estruturantes. Mas, maior que o caixa bilionário – entre os três do ranking nacional -, a liderança na competitividade entre os estados, foi a elevação da autoestima dos paraibanos e paraibanas.
Os que, independente de afinidades políticas, percebem e reconhecem a Paraíba no seu “melhor momento”, sim senhor! Um novo capítulo ampliado das páginas de avanços escritas pelos governos anteriores de Ricardo Coutinho. Isso não é uma opinião. É fato.
Durante esses dois mandatos, João conseguiu se manter sendo o que sempre foi na sua vida profissional – um servidor público. O que todo gestor precisa ser. Essa é a natureza pura da política, o serviço. Sem afetações, sem pretensão de vitaliciedade.
Aliás, esse estilo reservado – e até tímido – embaraçou à visão de muita gente que cresceu enxergando a política pelos óculos dos gestos teatrais, da malícia calculada e carisma marquetado – esconderijo de projetos e interesses pouco republicanos.
Esses resquícios de miopia levam setores da política tradicional, e até da imprensa, a subestimar um João, de nome simples, sobrenome de família desconhecida. Ideologistas da caneta de momento e oportunistas de sempre conspiram dúvidas contra o agora candidato a senador, confundindo a rima de potencial eleitoral com Diário Oficial.
Porque, na verdade, não subestimam apenas o ex-governador. Menosprezam a capacidade crítica de avaliação das pessoas simples e o senso de reconhecimento da população aos resultados de gestão. A Paraíba mudou. No retrato dessa mudança tem a imagem de João. E ele não está sozinho.

João Azevêdo durante agenda no Interior da Paraíba (Foto: Aloísio Abrantes/Rede Mais)

João Azevêdo durante agenda no Interior da Paraíba (Foto: Aloísio Abrantes/Rede Mais)