
Na tradição cristã, esta quinta-feira lembra a Última Ceia. Para os aliados do prefeito Cícero Lucena (MDB), hoje foi o dia de ‘passagem’ da dúvida para a certeza da sua candidatura ao governo.
Nos últimos atos dessa Quaresma, Cícero investiu na oração do suspense.
Aproveitou cada dia e minuto no mandato de prefeito para explorar ao máximo a presença nos holofotes, num claro contraponto à expectativa natural do sinédrio da política para a posse no governo do seu principal adversário, Lucas Ribeiro (PP).
A via sacra inspirou açoites de dúvidas, inclusive entre aliados, serviu para pressionar novos aliados, como o Grupo Cunha Lima, a também tomar a cruz e indicar um vice competitivo, garimpou manchetes na imprensa.
Teve, claro, também seus efeitos colaterais. A dúvida sempre transmite fragilidade, ainda que seja parte do preparativo para um anúncio sob o signo do “sacrifício”.
Como em toda grande decisão, Cícero certamente peneirou todas as opiniões, inclusive familiares, calculou todos as probabilidades de martírios e também de triunfo.
Ao final, manteve a reflexão amadurecida antes mesmo de romper com o governo e com o bloco partidário pelo qual foi apoiado na eleição de 2020 e na reeleição de 2024.
Prefeito pelo quarto mandato em João Pessoa, Cícero sabia que qualquer que fosse sua decisão haveria riscos de ganhar e perder. Ele decidiu arriscar no de vencer. Entre o lava pés ou lavar as mãos, fez hoje a última ceia no cargo. Está consumado!