
Atende pelo nome de André Gadelha a ‘solução caseira’ adotada pelo MDB para fechar a chapa do prefeito Cícero Lucena e de Veneziano Vital (MDB). O senador não conseguiu fazer “arder” o coração do padre Fabrício Timóteo ao ‘chamado’, mas ‘tocou’ o coração do ex-prefeito de Sousa, no dizer do próprio Sousense.
A providência doméstica resolveu dois problemas de cara. O de Veneziano, que carecia de um companheiro para evitar o retrato de uma chapa banguela, mas alguém que não ameaçasse sua votação dentro de casa, e do próprio André, suplente cogitava desistir de disputa novamente vaga na Assembleia.
Cumpre também o suporte de suprir Cícero Lucena (MDB) com um nome com inserção no Sertão, região onde Nabor Wanderley tem avançado. Mas, para Cícero, na ágora paraibana, ficou uma pergunta: a escolha improvisada passou a mensagem de força ou de fragilidade à chapa?
Ao tempo que disse “sim” ao Senado, André Gadelha está dizendo um sonoro “não” ao debate da polarização nacional. “Nem sou candidato de direita, nem de esquerda. Sou da Paraíba”, pichou o pré-candidato, colocando-se como uma opção alheia ao cansativo, porém, latente, apelo ideológico.
Com Veneziano, o governador João Azevêdo (PSB) e até Nabor disputando o voto de Lula, e Marcelo Queiroga (PL), ungido pelo messias Jair como porta-voz do bolsonarismo, Gadelha vê espaço para uma discussão mais prática, sob o binômio problema-solução. “A gente não ganha nada com isso (polarização). A gente precisa discutir desenvolvimento”, receitou Gadelha, que vai buscar o voto do iminente prefeito Leo Bezerra na capital e quer arrancar o compromisso do clã Gadelha, em Campina Grande.
Prestes a enfrentar os titãs da disputa, André consegue enxergar uma pequena brecha. É por esse espaço que pretende se infiltrar entre as rochas, apesar de seus quase dois metros de altura. Trabalha para ser o “fato novo”. Com um diferencial em relação aos principais adversários: nada tem a perder. O que levar a urna entra no lucro.