
Se dependesse somente do PT paraibano, a sigla se mantém onde está – na base do governo – e já teria batido o martelo de apoio à chapa do vice-governador Lucas Ribeiro (PP) e do governador João Azevêdo (PSB). Mas, do outro lado da avenida o senador Veneziano Vital (MDB) se mobiliza pela aliança petista com a candidatura do prefeito Cícero Lucena (MDB).
Com o impasse, a direção nacional do PT avocou para si a solução da disputa. Em Brasília, nesta sexta-feira (6), o presidente Edinho Silva vai tentar calibrar o interesse estadual com as estratégias nacionais. Encontrará uma presidente estadual Cida Ramos decidida a cobrar respeito ao sentimento majoritário da instância paraibana.
É aí onde entram as duas teses salomônicas em debate: neutralidade ou candidatura própria, esta última abertamente advogada por Ricardo Coutinho. Na leitura do ex-governador, somente esse movimento faria pelo PT o que nenhuma outra aliança fará pelo partido: o combate ao bolsonarismo.
Nesse imprensado, o PT corre o risco de repetir em 2026 o que viveu em 2020 em João Pessoa. O diretório pessoense decidiu por candidatura própria de Anísio Maia e a nacional determinou aliança com o então candidato a prefeito Ricardo Coutinho. Resultado: os dois lados saíram derrotados e o partido fragilizado.
A parada dessa vez é ainda mais sinuosa. Envolve de um lado o governador João Azevêdo, candidato a senador estimulado por Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos). No contraponto, o senador Veneziano Vital, irmão do presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo.
Espremido dentro desse liquidificador de interesses, o PT pode ser tentado a evitar agradar a apenas um lado e conseguir desagradar os dois. E ainda correndo o risco de obrigatoriamente ter de se encontrar com a verdade no segundo turno.