
Expectadores da entrevista na ‘Hora H’, da TV Norte, ou consumidores dos recortes que pipocaram nas redes sociais, facilmente observaram: o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) assumiu uma nova postura política. E funcionou.
O tom adotado na entrevista rendeu, automaticamente, várias manchetes e repercussão. Revide ao “cipó” de Cícero, pancada na atuação do concorrente na novela da Lei do Gabarito, cutucadas no grupo Cunha Lima, elogios e sinalização ao vice-prefeito Leo Bezerra (PSB) e até a disposição de equacionar um secretariado com a “sua cara”.
Ao botar mais sangue no olho e até malícia em certas respostas, Lucas – um jovem de 36 anos – apresentou mais o lado do político disposto a vencer a batalha eleitoral da reeleição e menos o “bom mocinho” – conceito consensual sobre seu perfil pessoal.
A estratégia do vice-governador sabe que Lucas tem o saldo de representar um governo bem avaliado, tendo o benefício de candidato à reeleição, mas também precisa encarar e superar suspeições levantadas pelos adversários sobre preparo, experiência e até autonomia familiar para tomadas de decisões administrativas.
E o que a audiência do programa, a classe política e a imprensa constataram ontem foi um Lucas Ribeiro, tal qual a iminente passagem de governo, em processo de transição. Da discrição dos últimos três anos, respeitando a liturgia e o titular do cargo, ao protagonismo pessoal.
Não que tenha mudado, a 40 dias de assumir. Mas, talvez, porque a vivência dos últimos três anos o conduz a – neste novo momento – se permitir ser mais ele mesmo.
