As 'mensagens' que ficam: João e Cícero queimam os barcos – Heron Cid
Opinião

As ‘mensagens’ que ficam: João e Cícero queimam os barcos

5 de fevereiro de 2026 às 20h28 Por Heron Cid
Monumento na Praça dos Três Poderes, em João Pessoa

Nas mensagens ao Legislativo, nessa primeira semana de fevereiro, o governador João Azevêdo (PSB) e o prefeito Cícero Lucena (MDB) se assemelharam em alguns pontos: a duração dos discursos – cerca de uma hora – e a cristalização irrevogável da renúncia dos respectivos cargos, em abril.

Anulou-se qualquer dúvida para os adeptos da teoria da desistência. Diante de uma plateia institucional, ambos oficializaram disposição de renúncias para disputar o Senado e o governo. Agora, em palanques opostos, depois de uma aliança que começou e terminou pelo mesmo motivo: overdose de pragmatismo.

Convergiram, ainda, no tom endereçado aos vices. João falou em “transição harmoniosa”, ao se referir generosamente a Lucas Ribeiro (PP). Cícero sublinhou “total confiança” em Leo Bezerra (PSB).

Tanto o governador quanto o prefeito prepararam o terreno para a “normalidade” e “tranquilidade” na entrega do bastão, ao tempo que envergaram sobre os ombros dos sucessores o peso da reciprocidade político-eleitoral.

Se João resistiu a sentimentalismos de despedida, avisando que não “borraria” a mensagem com a umidade do saudosismo, Cícero embargou a voz e verteu lágrimas.

Os dois queimaram os barcos. A sorte está lançada e não há mais volta.

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