
O prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (União), parece resoluto quanto à decisão de apoiar o senador Efraim Filho (União) como seu candidato a governador, a despeito das pressões internas. A decisão é – reconheça-se – coerente com seu partido e um gesto de retribuição ao aporte administrativo de Efraim, via emendas.
Ao tempo que age com correção partidária e gratidão política, Bruno abre também um fosso na relação familiar e política com o clã Cunha Lima, que adotará, oficialmente, Cícero Lucena (MDB) como candidato a governador, a partir desta sexta-feira (30).
Com os deputados Romero Rodrigues (Podemos), Fábio Ramalho (PSDB) e Tovar Correia Lima (PSDB) alinhados com a decisão do ex-deputado Pedro Cunha Lima (PSD), e a benção do ex-governador Cássio Cunha Lima, além do senador Veneziano Vital (MDB), o prefeito se isola das grandes lideranças do seu grupo e deve ser seguido apenas pelo seus vereadores mais fieis.
Bruno pode estar fazendo o seguinte cálculo: mesmo diante de crises de gestão, tanto o seu prestígio político pessoal, quanto à estrutura da Prefeitura, somados à fatia conservadora do eleitorado campinense, favorecem o desempenho de uma candidatura com o perfil de Efraim, ungido pelo PL e bolsonarismo.
Se mantiver a palavra, será uma decisão corajosa, porque assume com ela um risco político do tamanho de Campina Grande. Seja qual for, o resultado da votação de Efraim Filho na cidade entrará totalmente na conta de Bruno. Para o ônus ou para o bônus.