
Sejamos menos ingênuos, meus caros. Nessa briga de Trump e Maduro não existem mocinhos. De um lado, um presidente eleito pela força do ideologismo extremista de direita e o outro, fantasiado de socialista, entronizado no poder à força militar.
O ataque da madrugada, ensaiado há dias, é a consumação da reiterada ameaça do norte-americano contra o ditador da Venezuela.
Trump alega envolvimento direto de Nicolás Maduro com o narcorterrosimo. A acusação impeliu processo nos Estados Unidos contra o herdeiro de Hugo Chávez.
Ninguém duvida que Maduro se beneficia dessa relação espúria.
O ditador venezuelano, por sua vez, acusa o seu opositor de agir motivado por inspirações imperialistas, notadamente pelo interesse econômico na maior reserva de petróleo do mundo.
Ninguém, também, duvida desse tese capitalista.
Em polos opostos, Trump e Maduro se esgrimam e fornecem combustível para esquerdistas e direitistas ao redor do mundo, inclusive no Brasil, calibrar suas comemorações e protestos.
Agem como bovina plateia adestrada de um teatro segundo o qual dois lados estão com a razão. Cada qual com seus interesses. E narrativas.
Se não há mocinhos nesta peleja, resta uma diferença entre os dois; um está preso.