ANÁLISE - Com a palavra, a defesa de Bolsonaro – Heron Cid
Opinião

ANÁLISE – Com a palavra, a defesa de Bolsonaro

21 de fevereiro de 2025 às 15h57 Por Heron Cid
Celso Villardi, advogado de Bolsonaro: se não dá mais para esconder o óbvio, esconda-se pelo menos o "mito"

Tá ficando mais difícil esconder o dia do sol para a tese bolsonarista de que não houve o que se reivindicou nas calçadas dos quartéis, o que se apelou nas redes sociais e até se tramou no Palácio do Planalto. Com a anuência e incentivo do presidente da época.

Uma trama cujo aborto – por razões alheias à vontade dos golpistas – foi recebida com irada frustração bolsonarista contra as Forças Armadas, acusadas de covardia pelos radicais por não ter bancado a aventura lunática e autoritária do golpe, denunciado formalmente esta semana pela Procuradoria Geral da República.

Diante da robustez dos elementos fáticos, do conteúdo dos depoimentos e as revelações das delações, restou ao advogado Celso Villardi, da defesa do ex-presidente, apenas tentar afastar a participação e culpabilidade de Bolsonaro nos episódios que ele sabidamente flertou, dominou e estimulou. E agora renega deixando aliados da conspiração na beira da estrada.

O próprio advogado admite – de viva voz à Globo News – a existência e gravidade dos fatos e crimes denunciados. O que não dá mais para segurar e negar, a não ser no planeta Bolsonaro.

“Não há dúvidas de que existiram fatos graves que foram narrados na denúncia. Não estou minimizando os fatos, estou apenas afirmando, de que o presidente não participou”, assinalou Villardi.

Eis a tese ensaiada. Confessa-se o movimento e a tentativa golpista, óbvia como a redondez da terra, mas só Bolsonaro não sabia e nem participou. Em português jurídico: que os outros paguem o pato, menos o “mito”.

Um ‘mito’ que vai se desnudando e se mostrando, cada vez mais, o que sempre foi; apenas uma lenda.

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