Pelo espírito belicoso do Jardim Girassol, nenhuma de suas pétalas taludas encarou com naturalidade a espinhosa presença do deputado Gervásio Maia na Granja Santana, semana passada.
A ida de Gervásio e a recepção do governador João Azevêdo foram gestos simbólicos demais. E inequívocos. Por mais que não digam expressamente, ambos querem a reaproximação. Ponto.
E o passo de Maia já é uma reação ao clima de distanciamento interno na sigla.
Ainda que nenhuma das vozes socialistas autorizadas tenha ido a público reclamar, o desconforto pode ser medido pela reação de manifestações periféricas e informais.
Se o clima entre Gervásio e o ricardismo já estava desgastado desde a eleição em João Pessoa, depois do movimento explícito de Maia a coisa piorou. E tende a piorar mais.
Apesar de todos os gestos de solidariedade política por ocasião do racha no PSB e da explosão da Operação Calvário, ainda há quem espere mais de Gervásio.
Cobra-se a postura canina de amar o dono e odiar os inimigos. Quem conhece um pouco o perfil do ex-presidente da Assembleia – que não deve a vida pública a Ricardo Coutinho – sabe que ele não funciona assim.
Na oposição em Brasília e na Paraíba, Gervásio já paga preço alto. A fatura corre o risco de só ir aumentando e ele de ser imobilizado por uma camisa de força partidária.
Só tem um detalhe relevante: Maia é o atual presidente do PSB e tem um voto na Câmara.
Uma nova disputa pelo controle do partido está em anunciação e vem a galope. Já é possível se escutar os seus sinais.