
A pergunta de milhões introduziu a apresentação de Felipe Nunes, do Quaest, no ‘Abre Aspas’, evento da Rede Paraíba de Comunicação. Ao lado do jornalista Gerson Camarotti, ele dissecou em números e leituras sobre o atual e turbulento cenário político do Brasil.
O próprio autor de o ‘Brasil no Espelho’ responde a própria indagação: “Sinceramente, não sei”. Com razão, porque o terreno da sucessão presidencial é movediço, dado o nível da conflagração da polarização.
Nunes, porém, traz luzes ao fim do túnel.
As estatísticas revelam uma polarização real muito menor do que a sensação sobre ela. A esquerda lulista representa 15% do eleitorado. A direita bolsonarista forma 13%.
O racha aumenta entre os que se identificam como de esquerda e de direita. São 35% contra 35%. O número é revelador do grau de divisão.
Mas existe um universo de 30% de eleitores independentes. Esse mapa dá a Felipe Nunes a autoridade para sentenciar: “A polarização está na cabeça da gente”.
Essa sensação consolidou o fenômeno da calcificação. Até quem se diz indiferente aos polos oscila em torno deles.
Isso muito em função também do sentimento de que a eleição realmente se dá entre Lula e o nome do bolsonarismo, uma fumaça que invisibiliza as poucas alternativas, representadas hoje por Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Tema (Novo).
Na fotografia do momento, o episódio do áudio de Flávio Bolsonaro com Vorcaro provocou reação de Lula e a chance de reeleição aumentou. Mas nada definitivo, afinal estamos há meses das urnas.
O diferencial – cogita o homem do Quaest – pode ser o saldo dos desempenhos dos dois em Minas Gerais, onde Lula está vencendo, mas ainda sem palanque definido, e Goiás, estado que faz seu ex-governador liderar contra o presidente e Flávio.
O cenário confuso torna muito mais difícil responder e apostar quem será o próximo presidente. Sobra uma pista: o que conseguir ser o menos rejeitado. Ou seja, o buraco que nos metemos é muito maior que a polarização.