Cheiro de naftalina. Por Ricardo Noblat – Heron Cid
Bastidores

Cheiro de naftalina. Por Ricardo Noblat

28 de novembro de 2018 às 10h30
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, marcha durante um evento para celebrar o 73º aniversário da Brigada de Infantaria Parquedista no Rio de Janeiro - 24/11/2018 (Ricardo Moraes/Reuters)
Depois dos 21 anos da República dos Generais de 64, nada haverá de mais falsamente parecido com um governo militar do que o próximo do capitão Jair Bolsonaro a ter início daqui a exatos 33 dias.O último governo dos generais foi presidido por João Baptista de Oliveira Figueiredo, um cavalariano esforçado, namorador, briguento, mas frouxo quando a linha dura do regime o encarou.

Figueiredo contou com 9 ministros militares da ativa e da reserva, incluídos nessa conta os do Exército, Marinha e Aeronáutica, e o chefe do Gabinete Militar da presidência da República.

Ou seja: dos nove, quatro deveriam ser militares dada à natureza das funções que exerceriam. Militares da reserva cuidaram da Casa Civil, da Educação, Interior, Previdência Social e Minas e Energia.

Bolsonaro, ontem, indicou mais um militar como ministro de governo, Tarcísio de Freitas. Ele já foi engenheiro do Exército. Abandonou a farda quando era capitão.

Os outros:  Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e Fernando Azevedo e Silva (Defesa)

São cinco até aqui, fora o presidente e o vice-presidente. Bolsonaro não descarta a possibilidade de recrutar mais militares para ministérios ou cargos de segundo e terceiro escalões.

“É possível. Quando o PT escalava terrorista, ninguém falava nada”, comentou o presidente eleito, que por ora insiste em não descer do palanque de uma campanha encerrada há um mês.

Lula governou com uma dezena de ex-sindicalistas. Empregou-os porque era sua turma. Bolsonaro emprega a dele. Ex-sindicalista e militar da reserva têm algo em comum: carecem de tropas.

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